Saudações Nação Darkness! Eu sou André Pajé, e estou aqui para falar um pouco de Fisiculturismo para vocês, na visão de um Arbitro Internacional de Bodybuilding, e como vocês um  apaixonado pelo Esporte, sua história, e o poder transformador que ele exerce no corpo, na mente e na alma de seus mais  leais praticantes.

INTRODUÇÃO AO FISICULTURISMO

Como o próprio nome sugere, Fisiculturismo é o culto ao corpo, a busca por um físico perfeito. Neste esporte não se mede a força, ou a resistência, o qualquer outra capacidade física, mas apenas se atentam à beleza estética do físico, pois ganha o físico que melhor representar uma estátua grega.

 Só que  para chegar nisso o atleta precisa, da mesma forma que os atletas de outros esportes de alto nível,  aperfeiçoar ao máximo as suas valências e capacidades físicas, pois para  ser volumoso como um Fisiculturista, deve treinar de forma muito parecida com um atleta de força, assim como  para ter a definição de um maratonista (ou até mais), esse mesmo atleta deve desenvolver ao máximo também sua capacidade cardiovascular através de treinamentos que melhorem sua condição aeróbia.

Para executar com perfeição a coreografia e a rotina de poses, esse atleta deve ter também sua flexibilidade treinada ao máximo, além das outras capacidades como equilíbrio, coordenação, e o total refinamento dos movimentos para apresentar leveza nas poses e fluidez durante as transições. Tanto isso é verdade que uma das cenas mais famosas do filme “Pumping Iron” é justamente uma das suas cenas de abertura, onde mostra Arnold e Lou Ferrigno tendo aulas com uma bailarina numa sala de balé justamente para isso.

HISTÓRIA DO FISICULTURISMO

O primeiro relato que se tem informação relacionada ao fisiculturismo vem da Grécia. Havia um homem muito forte chamado Milon de Crótona. Ele era um atleta olímpico invejado pela sua força e músculos. O seu treino era baseado em um bezerro. Ele colocava o animal nas costas e andava. À medida que este animal ia crescendo, seu corpo ia acompanhando as adaptações necessárias para continuar andando com o bezerro nas costas. Assim, ele aplicou uma lei da musculação conhecida como “princípio da sobrecarga”, onde o praticante aumenta os pesos aos poucos de forma a promover evolução fisiológica e alcançar os objetivos propostos.

Avançando no tempo, em 1940 ocorreu o primeiro campeonato de fisiculturismo propriamente dito, sem utilizar a força como meio de avaliação. O campeão foi John Grimek, um homem que exibia volume, simetria, definição e proporção acima da média para a época. Joe Weider criou, em 1965, o Mister Olympia. O primeiro campeão foi Larry Scott, mas o primeiro a se destacar foi, no entanto, o ex-governador da Califórnia: Arnold Schwarzenneger. O ator de Hollywood venceu o campeonato por 7 vezes se tornando o maior ícone do fisiculturismo. Todavia, os atletas que mais venceram foram Lee Haney e Ronnie Coleman com 8 conquistas.

Atualmente é praticado no mundo todo por homens e mulheres. Apesar de a grande maioria ser de amadores, todos que ingressam em uma academia realizam treinos de fisiculturistas, deixando de lado a busca por força (powerlifting) ou potência (weightlifting). É tão natural, que mesmo crianças que não tem contato com o esporte, tendem a algum momento realizar a pose do duplo bíceps numa demonstração de coragem e força, talvez enraizada em nosso córtex desde tempos imemoriais, também pessoas ao tirar fotos de brincadeiras de uma forma muito espontânea realizam a mesma pose, além da famosa frase “mostra o muque” que todo menino já ouviu do pai ou de algum tio. etc. Portanto se você faz isso em frente ao espelho não se assuste, talvez você tenha um pouco desse esporte no sangue.

CRITÉRIO DE JULGAMENTO NO FISICULTURISMO

A vida de um fisiculturista não é fácil. Além de a rotina ser restrita e cansativa, o competidor nunca pode tirar férias, pois perdem músculos ou acumulam gordura, comprometendo suas participações futuras. Também é necessário seguir dietas específicas para os seus objetivos, sem esquecer-se de descansar bastante entre um treino e outro e dormir 8 horas por dia.

Os critérios de julgamento do Bodybuilding (Fisiculturismo) são:

  • Volume Muscular
  • Definição Muscular
  • Simetria (se existe diferença entre os músculos de ambos os lados do corpo)
  • Proporção (tamanho e harmonia de cada membro e grupo muscular em relação ao todo)

Todos esses quesitos possuem o mesmo grau de importância, e o que o árbitro avalia mesmo é o melhor conjunto. Cada atleta apresenta seu físico, que representa seu conjunto final. É como no triátlon, difícil ser um prodígio no pedal, na corrida e na natação simultaneamente, mas os atletas treinam para isso, e para corrigir os seus pontos fracos.

Porém, se tratando de Fisiculturismo Competitivo, de nada adianta ser completo em algum desses critérios em isolado, e não conseguir equilibrar os outros da mesma forma, pois todos devem ser trabalhados na mesma perfeição e harmonia. A vascularização (veias salientes) garante uma imponência e um tempero a mais em um físico já bem lapidado, volumoso e proporcional, porém não se torna fator tão decisivo, e pode servir apenas para desempate, caso os atletas estejam empatados nos 4 critérios mencionados aqui no início. A esse conjunto final damos o nome de linha.

Logicamente esse produto final tem muito a ver com genética também, relacionados ao tamanho de quadril, caixa torácica, e principalmente a proporção dos membros. Existem  atletas com braços muito compridos para as pernas, e vice-versa, o que acaba afetando o conjunto final  e a visualização geral. Mas isso não impede que esses atletas corram atrás de corrigir essas questões de proporção e consigam boas colocações no futuro.

Muitos atletas, técnicos, e o público em geral algumas vezes não se satisfazem com os resultados, porque não conseguem visualizar o que faltou, ou o que fez o conjunto geral do outro atleta se evidenciar mais. Algumas pessoas se impressionam com medidas, veias, fibras em isolado e não conseguem entender esse conceito de linha, tem que ficar igual a um boneco de troféu ou uma estátua grega.

Tudo isso ainda sem contar a expressão do atleta e a forma como ele expõe e movimenta seu corpo, e quando tudo o que falei acima se encontra também equilibrado, a atitude em cima do palco faz toda a a diferença. Não adianta ter físico melhor e não saber posar e mostrar o físico, pois o árbitro julga pelo que vê no palco, e não pelo que ele vê na academia nas fotos das redes sociais.

Mais informações sobre o mundo do fisiculturismo e da nutrição esportiva. Siga acompanhando nosso blog. Até a próxima!